Vendas e CRM

CRM para concessionária: o que o funil genérico não modela

Lead do portal e da montadora ao mesmo tempo, test-drive que reserva um veículo, avaliação de usado que muda o valor e F&I como funil dentro do negócio.

Leonardo Peron5 min de leitura

Na mesa de uma concessionária, o que parece uma negociação é quatro coisas acontecendo ao mesmo tempo: um veículo específico do pátio, um usado que o cliente quer entregar, uma proposta de financiamento em análise e um seguro sendo cotado. Nenhuma delas termina junto com as outras, e qualquer uma derruba a venda sozinha.

Produto de prateleira representa esse conjunto como um registro com um valor, uma etapa e uma data prevista. Cabe, do jeito que tudo cabe num campo de observação — o que não cabe é transformar isso em relatório depois.

O mesmo interessado chega por dois caminhos ao mesmo tempo

A pessoa vê o veículo num portal de classificados e manda mensagem. No mesmo dia, preenche o formulário no site da montadora, que repassa o contato para a loja da região. São dois registros, duas origens e, com frequência, dois vendedores.

A duplicidade em si tem causa própria e não é privilégio desta vertical. O que é específico daqui é a assimetria: o canal da montadora costuma chegar com medição de tempo de resposta embutida, e o do portal chega sem relógio nenhum. Confira se é o seu caso — a loja acaba organizando o atendimento em volta do canal que é cobrado, sem que ninguém tenha decidido isso.

O desenho do prazo está em prazo com consequência. O que precisa ser resolvido antes dele é ter um relógio só para todos os canais: dois relógios com regras diferentes produzem um número consolidado que não descreve nada.

Test-drive é agenda com um bem físico dentro

Num funil genérico, "test-drive realizado" vira uma caixa que alguém marca. A etapa real tem três recursos escassos amarrados: uma pessoa, um horário e um veículo que só está em um lugar por vez.

Isso muda o que o sistema precisa fazer. O agendamento tem que reservar o veículo, não apenas registrar a intenção — senão dois vendedores marcam o mesmo carro para o mesmo sábado e alguém descobre no balcão. E precisa haver placa ou chassi ali, não modelo: "hatch branco" não é um bem, é uma categoria.

Vale aplicar aqui o teste de o que é etapa e o que é rótulo: o test-drive passa, porque tem fato, data e dono. O que quase nunca existe é o estado anterior — agendado e ainda não realizado —, que é justamente onde o negócio fica parado esperando alguma coisa.

A avaliação do usado entra no meio e muda o valor

Esta é a diferença que mais quebra CRM genérico, porque ataca o campo central: o valor da oportunidade.

Numa venda com entrada de usado, o valor não é um número. São três: o preço do veículo que sai, a avaliação do que entra e a diferença, que é o que o cliente efetivamente vai pagar. A avaliação acontece no meio da negociação, depende de alguém olhar o carro, e é revisada quando aparece o que a vistoria não previu. Um funil com um campo valor guarda um dos três e perde a relação entre eles.

Há ainda o efeito seguinte, que costuma ficar de fora do desenho: o usado avaliado vira estoque. Cadastrar, precificar, fotografar e anunciar — e a partir daí ele fica sujeito ao problema do anúncio que continua no ar depois do veículo sair. Uma venda ganha cria um item novo para vender, e nenhum molde de funil genérico prevê isso.

F&I é outro funil dentro do mesmo negócio

Financiamento e seguro têm ciclo próprio, dono próprio e desfecho próprio. A proposta vai para mais de um banco, cada um responde no seu tempo, uma pode voltar aprovada em condição diferente da pedida, e o cliente decide entre elas. Enquanto isso, a venda está parada esperando um terceiro.

Modelar tudo isso como uma etapa chamada "aprovação de crédito" esconde exatamente a informação que importa. O que se quer saber é quantas simulações estão abertas, com quais bancos, há quanto tempo cada uma espera e qual foi recusada por quê. Isso é uma lista dentro do negócio, não um estado dele.

E a recusa não é o fim: ela devolve o negócio para a mesa com outra configuração — mais entrada, outro prazo, outro veículo. Funil que trata crédito recusado como perda apaga a negociação que continuou.

O contorno usual é a planilha do F&I ao lado do CRM, e ela funciona até alguém perguntar quanto tempo o cliente esperou. O recorte da vertical está em software para concessionária.

O que pedir antes de assinar com qualquer fornecedor

Leve um caso real para a demonstração e peça para ver funcionando: um agendamento de test-drive que segure o veículo; uma proposta com entrada de usado mostrando os três valores separados; e duas simulações de crédito convivendo no mesmo negócio, com data em cada uma.

O que não aparecer na tela vai virar campo de observação, e observação não entra em filtro nem em relatório. Se a lista do que faltou for longa e essas regras forem daquelas que a operação não vai abandonar, a conversa passa a ser sobre CRM sob medida; se for curta, produto pronto é a escolha certa.

A checagem para fazer hoje

Pegue três negócios fechados no último trimestre, um de cada tipo: novo à vista, novo financiado com entrada de usado e seminovo. Monte a cronologia de cada um a partir do que sobrou fora do sistema: mensagem trocada, proposta impressa, ficha de avaliação, retorno do banco, nota fiscal.

Depois marque quais dessas datas têm campo correspondente no CRM. As que não têm são o intervalo em que a sua operação não sabe onde o negócio estava, e é quase sempre onde ele esperou mais.

Isso é o que fazemos em crm sob medida

O CRM que ninguém preenche é o CRM que não devolve informação. Construímos o funil no formato em que a sua venda acontece, e não no molde do produto.

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