Boa parte do desconforto numa conversa técnica vem de vocabulário, não de complexidade. Cutover, de-para, idempotência e partida dobrada são conceitos simples com nomes intimidadores, e quem decide não deveria precisar fingir que conhece.
Cada verbete abaixo tem a definição direta e uma frase sobre por que aquilo importa na sua operação — que costuma ser a parte que falta em glossário de fornecedor.
Sistemas
- ERP
É o sistema que amarra os processos administrativos da empresa num só lugar: pedido, estoque, compra, faturamento, financeiro e fiscal. A sigla vem de Enterprise Resource Planning. Quando funciona, ele é a fonte da verdade sobre o que a operação fez.
Por que importaSe o time confia mais na planilha do que no ERP, ele deixou de ser fonte da verdade e virou custo de licença.
ERP sob medida →- CRM
É o sistema que organiza o relacionamento comercial: contatos, empresas, oportunidades e o histórico de cada interação. Serve para responder em que pé está cada negócio e quanto a empresa deve faturar nos próximos meses.
Por que importaCRM que o time não preenche não devolve informação — e a previsão de receita volta a ser instinto.
CRM sob medida →- Software sob medida
É o sistema construído a partir do processo da empresa, em vez de comprado pronto e adaptado. Faz sentido quando o processo é o diferencial competitivo e nenhum produto de prateleira o modela sem forçar contorno.
Por que importaCada planilha paralela ao sistema atual é um requisito que o produto pronto não atendeu.
Sob medida ou de prateleira →
Integração
- API
É a porta de entrada que um sistema oferece para outro conversar com ele por programa, sem passar pela tela. Define quais operações são possíveis, em que formato e com qual autenticação.
Por que importaSistema sem API não é impossível de integrar, mas cada degrau abaixo dela custa mais levantamento e entrega o dado com mais atraso.
Integração de sistemas →- Webhook
É o aviso que um sistema envia quando algo acontece, em vez de esperar ser perguntado. O sistema que recebe expõe um endereço e passa a ser notificado — pagamento aprovado, pedido criado, cadastro alterado.
Por que importaWebhook chega repetido e às vezes fora de ordem. Consumir sem idempotência é a causa número um de pedido duplicado.
- Idempotência
É a propriedade de uma operação que produz o mesmo resultado sendo executada uma ou dez vezes. Consegue-se com uma chave estável por operação: se a chave já foi processada, o sistema devolve o resultado anterior em vez de agir de novo.
Por que importaÉ o que permite reprocessar uma fila depois de qualquer queda sem duplicar pedido, cobrança ou entrega.
- RPA
É a automação que opera o sistema pela tela, imitando o que uma pessoa faria: abrir, clicar, preencher, copiar. Usada quando o sistema não expõe API nem exportação — legado sem interface, portal de terceiro, órgão público.
Por que importaQuebra quando a tela muda, e quebra em silêncio. Sem monitoramento, a operação descobre dias depois.
RPA ou API →- Middleware
É a camada de software que fica entre dois sistemas, traduzindo formato, aplicando regra e controlando o fluxo. Evita que cada sistema precise conhecer os detalhes do outro.
Por que importaÉ o que permite trocar de ERP ou de plataforma reescrevendo só o conector, em vez de refazer a integração inteira.
- Fila
É a estrutura que guarda mensagens até que possam ser processadas, com ordem e nova tentativa. Se o sistema de destino cai, a fila segura o trabalho em vez de perdê-lo.
Por que importaSem fila, indisponibilidade de duas horas do outro lado vira dado perdido no seu lado.
Dados e migração
- De-para
É a tabela que diz, campo a campo, de onde cada informação sai no sistema antigo e onde ela entra no novo, com a regra de conversão e o que fazer com o que não tem equivalente. É o documento central de uma migração.
Por que importaMigração que pula o de-para não descobre o problema nele — descobre depois do cutover, com o sistema antigo já desligado.
O de-para de dados →- Cutover
É o momento da virada: o instante em que a operação deixa de usar o sistema antigo e passa a usar o novo. Acontece em janela definida, normalmente fora do horário comercial, com plano de retorno testado.
Por que importaExiste um ponto na janela depois do qual voltar atrás deixa de ser possível — e ele precisa ser decidido antes, não durante.
Migração de legado →- Reconciliação
É a conferência que compara o que foi migrado com a origem — totais, contagens e saldos — produzindo um relatório de divergências. Serve para provar que nada se perdeu no caminho.
Por que importaCutover com divergência em aberto é aposta. Com reconciliação fechada, é decisão.
- ETL
É o processo de extrair dado de uma origem, transformar no formato de destino e carregar lá. Aparece em migração e em projetos de dados, onde alimenta a base analítica a partir dos sistemas de operação.
Por que importaÉ onde a regra de negócio de um relatório costuma morar — e por isso precisa ser versionada como código, não escondida numa fórmula.
- Data warehouse
É a base que concentra o dado dos sistemas da empresa com histórico, feita para consulta analítica e não para operação. Separada da produção justamente para relatório pesado não concorrer com quem está trabalhando.
Por que importaConsultar produção para relatório derruba o sistema no fechamento, que é quando todo mundo quer número.
Dados e BI →- Sistema legado
É o sistema antigo que a operação ainda usa e ninguém quer tocar: sem suporte do fornecedor, sem documentação e sem alguém que entenda por completo. Continua no ar porque desligá-lo parece mais arriscado que conviver.
Por que importaLegado sem manutenção não é estável: é uma falha esperando o momento mais caro para acontecer.
- Partida dobrada
É o método em que todo movimento financeiro gera dois lançamentos, de origem e destino, e nenhum registro é editado depois — correção acontece por contra-lançamento. Permite reconstruir qualquer saldo em qualquer data.
Por que importaCampo de saldo não responde por que o número mudou. Lançamento imutável responde, e é o que sustenta auditoria.
Fintech e pagamentos →- Conciliação
É o cruzamento entre o que o sistema registrou e o que o banco ou o adquirente informou, apontando o que não bate. Feita diariamente, transforma divergência em incidente pequeno.
Por que importaDivergência encontrada em D+1 é incidente. Encontrada no fechamento, é prejuízo com rastro frio.
Projeto
- SLA
É o acordo que define prazo de resposta e de solução por gravidade de incidente. Estabelece o que é parada de operação, o que é urgência e o que entra na fila normal — com o compromisso correspondente.
Por que importaSem gravidade acordada, tudo vira urgente e nada é priorizado.
Sustentação e suporte →- MVP
É a menor versão de um sistema que já entrega valor real em produção, usada para aprender com uso verdadeiro antes de investir no resto. Não é protótipo nem versão incompleta: é fatia estreita e completa de um processo.
Por que importaMVP que não fecha um processo inteiro vira dois lugares para conferir — pior que não ter começado.
- Escopo fechado
É o modelo de contratação em que o que será entregue está definido antes de começar, com prazo e valor fixos. O risco de estimativa fica com o fornecedor, e mudanças exigem aditivo.
Por que importaProtege quando o escopo é conhecido; atrapalha quando a prioridade muda a cada entrega.
Squad ou projeto fechado →- Squad
É um time alocado com dedicação acordada, trabalhando dentro do processo do cliente e com prioridade definida por ele a cada ciclo. O contrato é por período, não por entrega específica.
Por que importaSquad sem alguém do lado do cliente priorizando entrega o que foi pedido, não o que era necessário.
Squad dedicado →- Sustentação
É a manutenção continuada de um sistema em produção: correção de defeito, evolução pequena, atualização de segurança e monitoramento. Diferente de projeto, não tem fim previsto.
Por que importaSoftware entregue sem sustentação vira o legado do diagnóstico seguinte.
- LGPD
É a lei brasileira de proteção de dados pessoais. Define base legal para cada tratamento, direitos do titular, prazo de guarda e obrigação de segurança. Dado sensível — saúde, biometria, dado de criança — tem regime reforçado.
Por que importaGuardar dado além do necessário também é descumprimento; a lei exige descarte no fim do prazo, não só proteção.
IA
- Agente de IA
É um programa que usa modelo de linguagem para executar uma tarefa com alguma autonomia: ler documento, classificar mensagem, resumir histórico, preparar rascunho. Opera dentro de um fluxo definido, com ferramentas e limites.
Por que importaFunciona onde o erro é barato de perceber e corrigir. Onde a consequência é financeira ou jurídica, ele prepara e a pessoa decide.
Agentes de IA →- Base de avaliação
É um conjunto de casos reais com a resposta certa conhecida, usado para medir a qualidade de um agente de IA a cada mudança de instrução ou de modelo. Inclui de propósito os casos difíceis.
Por que importaSem ela não há como saber se um ajuste melhorou ou piorou — e modelo de terceiro muda sem aviso.
Onde a IA já funciona →- Alucinação
É quando um modelo de linguagem produz uma resposta plausível e errada, com a mesma confiança de uma correta. Não é falha de configuração: é característica do funcionamento, e por isso precisa ser contida por desenho.
Por que importaÉ o motivo de todo resultado vir com nível de confiança e com a passagem do documento que o embasou.