Vendas e CRM

CRM para incorporadora e loteadora: estoque é unidade, não imóvel

Unidade gerada do espelho, tabela que muda por fase de obra, reserva com prazo disputada no plantão e o repasse bancário que vem depois da venda.

Leonardo Peron5 min de leitura

Incorporadora e loteadora vendem uma coisa que a imobiliária não vende: unidade de um empreendimento. Parece diferença de vocabulário e é a origem de quase todo o resto, inclusive do que só aparece seis meses depois, na comissão e no repasse.

Declaração de interesse: a Mix Labs tem um CRM imobiliário próprio que atende esse público. Os critérios abaixo valem contra qualquer fornecedor, e o nosso é julgado por eles igual.

Estoque é unidade gerada, não imóvel cadastrado

Numa imobiliária, cada imóvel é um cadastro feito à mão, com endereço próprio e proprietário próprio. Numa incorporadora, o estoque nasce do espelho: torre, andar, final; ou quadra, lote, testada. São dezenas ou centenas de itens quase iguais, que diferem por atributos que decidem preço — andar, posição, metragem privativa, vaga vinculada.

Isso muda três coisas. O cadastro é gerado a partir de uma estrutura, não digitado unidade a unidade. A busca do corretor é por atributo dentro de um empreendimento, não por endereço. E a visão que importa não é a ficha de uma unidade: é o espelho inteiro, com o que está disponível, reservado e vendido, atualizado agora.

Sistema que trata unidade como imóvel avulso funciona no lançamento e apodrece depois: a situação de cada uma passa a ser mantida à mão, e situação mantida à mão está errada na hora do plantão.

A tabela muda por fase, e o preço da proposta é histórico

O preço de uma unidade não é um campo: é o valor que uma tabela vigente atribui a ela numa data. A tabela muda quando a obra avança e quando o estoque de um tipo esgota.

A consequência é que a proposta precisa guardar a tabela que usou, não só o valor. Sem isso, qualquer reimpressão meses depois mostra outro número e a discussão sobre o que foi acordado não termina. É o mesmo mecanismo de versionar a definição em vez de reescrever o passado, aplicado a preço em vez de indicador.

Some-se a estrutura de pagamento, que raramente é um valor só: entrada parcelada, reforços anuais, parcela das chaves e o saldo que vai para o financiamento. Um campo de valor único guarda o total, que é o número que ninguém discute na mesa.

Reserva é uma trava com prazo, e ela é disputada

No plantão, dois corretores podem estar com clientes interessados na mesma unidade na mesma tarde. A reserva resolve isso, e só funciona com três propriedades: é exclusiva, tem prazo, e cai sozinha quando ele vence.

Reserva sem prazo vira estoque congelado por corretor — a unidade sai do mercado sem ter sido vendida, e quem reservou não tem incentivo nenhum para liberar. Reserva que precisa de alguém para cancelar é reserva sem prazo, porque esse alguém está no plantão. É prazo com consequência automática aplicado ao estoque em vez do lead.

Falta decidir a fila: quando a reserva cai, a unidade volta ao mercado para todos ou existe uma segunda opção registrada? Qualquer resposta serve, desde que esteja escrita antes do lançamento — no dia, ela vira negociação entre pessoas com comissão em jogo.

A comissão tem mais participantes e chega mais tarde

A régua da incorporadora não se parece com a da imobiliária: numa venda de lançamento costuma haver corretor, gerente de plantão, coordenador de equipe e a imobiliária parceira que trouxe o cliente, cada um com percentual sobre a mesma venda.

E há a decisão que quebra a implementação: quando a comissão passa a ser devida. Amarrá-la à assinatura da proposta antecipa pagamento sobre uma venda que ainda pode não se confirmar; amarrá-la ao recebimento empurra o pagamento para meses depois. As duas respostas são defensáveis e produzem meses completamente diferentes. O que não é defensável é não ter a resposta escrita com data de vigência — a discussão que a planilha do fim do mês não resolve volta aqui multiplicada pelo número de participantes.

O distrato acrescenta o caso que ninguém modela: a venda cai depois da comissão paga, e o estorno precisa de regra e prazo.

O repasse bancário é um processo longo depois da venda

A venda ganha não encerra nada. Depois dela vêm montagem do processo, avaliação do imóvel, análise de crédito, assinatura e registro — um percurso com um terceiro decidindo, prazos que não são seus e documento que volta para correção.

Se o funil termina em "vendido", esse período inteiro fica invisível justamente quando o caixa depende dele. Ele precisa ser um segundo funil, com etapas próprias e dono próprio, alimentado pelo primeiro.

O que a imobiliária parceira precisa enxergar

Quem vende para você não pode depender de ligar para saber o que está disponível. Espelho atualizado, tabela vigente e as próprias reservas precisam estar visíveis para o parceiro — e só isso, sem acesso ao resto da base. É um portal do cliente com regra de visibilidade, não um login a mais no seu sistema.

Sem isso a informação circula por captura de tela num grupo de mensagens, e a unidade vendida continua sendo oferecida por quem viu o espelho de ontem.

O levantamento para fazer antes do próximo lançamento

Responda quatro perguntas por escrito: quanto tempo dura uma reserva e o que acontece quando vence; quem participa da comissão de uma venda e com qual percentual; em que evento ela passa a ser devida; e quem tem direito de ver o espelho.

Leve as respostas para a próxima demonstração e exija ver cada uma em execução na tela. O que ficar sem demonstração é o seu escopo real — e quando essa lista for longa e as regras não forem negociáveis, a conversa passa a ser sobre CRM sob medida. O recorte da vertical está em operação imobiliária.

Isso é o que fazemos em crm sob medida

O CRM que ninguém preenche é o CRM que não devolve informação. Construímos o funil no formato em que a sua venda acontece, e não no molde do produto.

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