Vendas e CRM

CRM para locação de imóveis: o funil que começa na assinatura

Locação não é venda com prazo menor. Por que o contrato é o registro central, o que a garantia trava e o ciclo que só começa depois de assinar.

Leonardo Peron5 min de leitura

Quem procura CRM para locação costuma receber a mesma resposta que quem procura CRM para venda, com um argumento razoável por trás: os dois começam com alguém interessado num imóvel. A semelhança acaba na assinatura.

Numa venda, a assinatura é o fim. O negócio vira ganho, sai do funil, e o que resta é comissão e pós-venda. Numa locação, a assinatura é o começo de um contrato que vai gerar evento todo mês, por anos, com três pessoas dentro dele e dinheiro de terceiro passando pela conta da administradora.

Declaração de interesse antes de qualquer critério: a Mix Labs tem um CRM imobiliário próprio, com módulo de locação. Estamos de um dos lados desta discussão, e o que vem abaixo é critério, não recomendação.

O registro central é o contrato, não o lead

Num CRM de venda, o objeto que organiza tudo é a oportunidade: nasce, avança por etapas e morre. Na locação existe um objeto que não morre — o contrato — e é dele que pendem quase todas as tarefas da operação.

A diferença aparece na primeira pergunta prática: quantos contratos vencem nos próximos noventa dias? Num sistema desenhado para venda essa pergunta não tem onde ser feita, porque não há entidade com vigência. O contorno é a planilha ao lado, que é o sinal conhecido de que o sistema não devolve o que a operação precisa.

Há ainda o problema de quem é o cliente. Um contrato de locação tem inquilino, proprietário e garantidor, com interesses opostos e comunicação separada. Funil que amarra um contato por negócio obriga a escolher um dos três e jogar os outros dois na observação — e é o proprietário, que é quem paga a taxa de administração, o que costuma sobrar.

A garantia trava tudo, e trava fora da sua casa

Entre a proposta aceita e a assinatura existe uma etapa que depende de um terceiro decidir: fiador com análise de renda, seguro-fiança com aprovação da seguradora, título de capitalização, caução. Cada modalidade tem documento próprio, prazo próprio e uma recusa possível.

É a etapa mais valiosa do funil de locação justamente porque não é o corretor quem a executa — o raciocínio geral está em as etapas que a venda não tem. O que é específico daqui é que a recusa não mata o negócio: ela devolve o interessado para escolher outra modalidade, às vezes duas vezes, e o relógio recomeça.

Um funil que tem só "documentação" como etapa perde qual garantia foi tentada, quando e por que caiu. É a informação que explica por que a locação demorou, e sem ela a demora fica atribuída a quem atendeu.

O ciclo que começa depois da assinatura

O que a venda não tem e a locação tem, com data marcada:

Reajuste. Aniversário do contrato, índice contratado, comunicação prévia. Precisa disparar sozinho e precisa registrar qual índice foi aplicado — a fórmula, não só o resultado, senão a conferência do ano seguinte não fecha.

Renovação. Tem janela: existe um período em que renovar ou encerrar precisa ser decidido e comunicado. Perder a janela muda o regime do contrato, e é uma perda por inação, o tipo que nenhum painel de funil mostra.

Vistoria. De entrada e de saída, com laudo, fotos e comparação entre as duas. É prova, não anexo: quando aparece a discussão sobre o estado do imóvel, o que resolve é o documento com data.

Inadimplência. Uma régua de cobrança com dias, canais e um ponto em que a conversa deixa de ser da administradora. O sistema precisa saber o que já foi cobrado, para que ninguém dependa de lembrar.

Rescisão. Antecipada tem multa proporcional ao tempo restante, devolução de caução e acerto de encargos, com a vistoria de saída amarrando tudo.

Cada um desses eventos tem consequência financeira. É por isso que o desenho de locação se parece mais com automatizar o financeiro do que com um funil comercial: o mês fecha, o repasse sai, e a prestação de contas precisa ser reproduzível quando o proprietário questionar.

Por que o CRM de venda modela isso mal

Não é má vontade do fornecedor, é modelo de dados. Um funil de venda tem um registro que caminha numa direção e termina. Locação tem um registro que fica parado e emite eventos periódicos, com um funil curto na frente dele.

Quando se tenta representar o segundo com o primeiro, aparecem sempre os mesmos contornos: o contrato vira uma oportunidade ganha e some do painel, o reajuste vira tarefa recorrente na agenda de alguém, a vistoria vira anexo, e o repasse — que é dinheiro que não é seu — vai para a planilha.

O critério de escolha, então, não é a lista de funcionalidades: é qual metade da sua casa é maior. Como escolher um CRM imobiliário trata dos critérios gerais, e para quem administra aluguel o peso da parte financeira sobe acima de todos eles — um sistema sólido em venda pode ser raso exatamente aí. O recorte da vertical está em operação imobiliária.

O levantamento para fazer esta semana

Liste os eventos com data marcada dos próximos noventa dias da sua carteira: contratos que reajustam, contratos que entram na janela de renovação, vistorias de saída agendadas e contratos com parcela em atraso.

Depois responda a uma pergunta por linha: essa data está guardada num sistema que vai avisar alguém, ou está numa planilha que depende de alguém abrir? A proporção entre as duas respostas é o tamanho real do problema, e é um número que você levanta hoje sem comprar nada.

Isso é o que fazemos em crm sob medida

O CRM que ninguém preenche é o CRM que não devolve informação. Construímos o funil no formato em que a sua venda acontece, e não no molde do produto.

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