Resposta curta
Aplicativo Android de empresa começa pelo aparelho, não pela loja: modelo e versão da frota, coletor com leitor de código de barras, totem travado num app só. Publicamos no Google Play ou, para uso interno, no Google Play gerenciado. Se o WMS já tem app de coletor que cobre o processo, fique com ele.
O aparelho da equipe não é o celular de quem desenvolveu
O app passa em todos os testes no celular do desenvolvedor e falha no aparelho de entrada que a empresa comprou em lote: tela menor, memória curta, uma versão do Android que o fabricante parou de atualizar. Há também o que nenhum teste de dez minutos pega. Com a tela apagada, fora da tomada e o aparelho parado por um tempo, ele entra no modo Doze, que suspende rede e sincronização em segundo plano, e a fila de pedidos que deveria subir às seis da tarde fica esperando uma janela de manutenção do sistema.
Em depósito, doca e loja, o aparelho nem é celular. É coletor com leitor de código de barras embutido, de fabricantes como Zebra e Honeywell, e o app que lê código pela câmera desperdiça o equipamento: mirar, esperar foco, repetir. O leitor do coletor entrega a leitura pronta para o app, como texto digitado ou como mensagem do sistema. Quem ignora isso paga por um leitor profissional e usa uma câmera pior.
A distribuição é o improviso mais caro. O APK vai por WhatsApp ou por link de drive, cada aparelho fica numa versão, e para instalar alguém liberou fonte desconhecida no celular de trabalho. Ninguém sabe quem ainda está na versão com o erro do desconto. E o Google está mudando esse caminho: a verificação de identidade de desenvolvedor do Android vale no Brasil a partir de 30 de setembro de 2026 nas lojas participantes. O APK instalado direto não entrou nesta primeira etapa, e a própria documentação do Google diz que é por enquanto.
Como fazemos
Inventário da frota
Antes de escolher tecnologia, listamos o que está na mão da equipe: modelos, versão do Android, se o aparelho é da empresa ou do funcionário, se tem leitor embutido. Dali saem duas decisões que costumam ser tomadas no escuro, o aparelho mais velho que o app aceita e o canal de distribuição. Aparelho pessoal pede perfil de trabalho; aparelho da empresa pode ser totalmente gerenciado.
Conta de organização no Play Console
App de empresa nasce em conta de organização, o tipo que o Google indica para atividade comercial. Ela exige número D-U-N-S, gratuito na Dun & Bradstreet mas com emissão que pode levar até 30 dias, além de e-mail e telefone verificados. A taxa de inscrição é única, hoje de US$ 25. A exigência de teste fechado com 12 testadores por 14 dias seguidos antes de pedir produção está escrita para conta pessoal criada depois de 13 de novembro de 2023.
Leitor do coletor, câmera como reserva
No coletor, o app recebe a leitura do serviço do fabricante (o DataWedge, na Zebra, entrega por intent ou como teclado) e cuida só do que importa: validar o código, somar a quantidade, acusar a divergência na hora. No celular comum, a mesma tela lê pela câmera. Uma tela só, dois jeitos de ler, e o conferente não percebe a diferença.
Distribuição pelo Google Play gerenciado
App interno sai como app privado no Google Play gerenciado, parte do Android Enterprise. Ele fica visível só para as organizações indicadas, até mil por app, e quem instala é o sistema de gerenciamento, não um link circulando. App privado em aparelho gerenciado está hoje isento da verificação de desenvolvedor, e o permanentemente privado de uso interno fica fora da exigência de nível de API. Mantemos o alvo em dia assim mesmo.
Dispositivo dedicado para totem e balcão
Totem de autoatendimento, tablet de check-in e aparelho de balcão viram dispositivo dedicado. O Android trava o aparelho num conjunto de apps liberados, no modo de bloqueio de tarefa (lock task), e quem controla a trava é o app de gestão que administra o aparelho. O cliente não chega às configurações e o funcionário não instala o que não deveria.
Nível de API com data marcada
O Google Play exige que o app declare um nível de API recente. Na regra vigente, app novo e atualização precisam mirar o Android 16 (API 36) desde 31 de agosto de 2026, com prorrogação possível até 1º de novembro de 2026; app existente abaixo do Android 15 (API 35) deixa de aparecer para usuário novo em Android mais recente. A atualização entra no calendário de manutenção antes do prazo, e não na semana do prazo.
O que você recebe
- Conta de organização no Google Play Console, com D-U-N-S, contatos verificados e acesso por papel
- App no Google Play público ou como app privado no Google Play gerenciado, instalado e atualizado pelo sistema de gerenciamento
- Integração com o leitor do coletor e leitura pela câmera no celular comum, na mesma tela
- Configuração de dispositivo dedicado para totem e balcão, com a lista de apps liberados
- Matriz de aparelhos testados, com o modelo mais fraco da frota em toda versão
- Calendário do nível de API alvo, com a atualização marcada antes do prazo do Google
Com o que trabalhamos
Perguntas frequentes
Kotlin nativo ou React Native?
Jetpack Compose, em Kotlin, é o kit que o próprio Google recomenda para interface nativa, e vale quando o app vive do aparelho: serviço rodando o dia todo em primeiro plano, integração profunda com a política de um dispositivo dedicado, impressora térmica ou balança conversando sem parar. React Native vale quando o app também vai para iPhone e o que é específico do Android cabe num módulo nativo pequeno, que é o caso da leitura do coletor por intent.
Não dá para só mandar o APK para a equipe instalar?
Dá, e é o jeito que mais gera chamado: sem atualização automática, sem saber quem está em qual versão, com instalação de fonte desconhecida liberada no aparelho de trabalho e um arquivo que pode sair da empresa. O Google Play gerenciado resolve os quatro, e o app privado em aparelho gerenciado está hoje isento da verificação de desenvolvedor. Instalação direta fica para a bancada de teste, por ADB.
Quanto custa um aplicativo Android?
A taxa da loja é o de menos: a inscrição no Play Console é única, hoje de US$ 25. O preço se move com a quantidade de modelos que o app precisa suportar, porque cada faixa de aparelho entra na bancada de teste, com a integração com coletor e dispositivo dedicado, com o trabalho sem sinal e com as integrações com ERP ou WMS. A licença do sistema de gerenciamento, quando existe, é contratada à parte. O diagnóstico gratuito de 7 dias devolve escopo, prazo e estimativa.
O app roda em aparelho antigo?
Roda até onde decidirmos, e são dois números diferentes. O mínimo é o Android mais velho em que o app aceita ser instalado, decisão nossa a partir do inventário da frota. O alvo é a versão para a qual o app declara estar pronto, e esse quem dita é o Google Play. Dá para mirar o Android 16 e seguir aceitando aparelho de várias versões atrás; o custo é testar nele, e por isso o mais fraco da frota entra na bancada.
Quando não faz sentido um app Android sob medida?
Quando o WMS ou o ERP já tem app de coletor que cobre o processo: configurar o que vem com ele sai mais barato e não cria um segundo sistema para manter. Quando o totem só mostra uma página, um navegador travado em modo quiosque resolve. E quando o público é cliente final, meça antes: se a base que compra de você está no iPhone, o Android não deveria ser a primeira versão.