Leonardo Peron7 min de leitura
Para publicar um aplicativo na App Store e na Play Store, a empresa precisa de uma conta de desenvolvedor em cada loja, aberta no nome dela, de uma ficha completa com política de privacidade e de um envio que passe pela revisão da Apple e do Google. A parte técnica é a menor: o que atrasa lançamento é conta aberta tarde, conta aberta no nome errado e revisor que não consegue entrar no app.
Prazos e taxas abaixo são os que as duas lojas publicam nas próprias páginas de ajuda, e mudam: confira a versão atual antes de marcar data.
A conta é da empresa, no CNPJ da empresa
Esta é a decisão que mais custa corrigir depois. App publicado na conta do fornecedor pertence, na prática, ao fornecedor. O nome dele aparece como vendedor, as credenciais ficam com ele, e tirar o app de lá depende de um processo de transferência que só anda com a boa vontade de quem tem a conta.
Na Apple, a inscrição como organização exige uma pessoa jurídica capaz de assinar contrato. Nome fantasia e filial não são aceitos, e o nome da empresa aparece como vendedor na loja. Quem inscreve precisa ter autoridade legal para comprometer a empresa, e o site dela precisa estar no ar, num domínio associado a ela.
Nos dois casos a empresa precisa de um número D-U-N-S, o identificador da Dun & Bradstreet que as lojas usam para verificar a organização. Ele é gratuito, mas não é imediato: a própria Apple orienta esperar até cinco dias úteis para o número sair e mais até dois dias úteis para ele chegar ao cadastro dela. O Google não abre conta de organização sem ele.
Por isso a conta se abre na primeira semana do projeto, não na última, e com um e-mail corporativo que não seja de uma pessoa: quando ela sair, o acesso não pode ir junto.
O que cada loja cobra
A Apple cobra anuidade de 99 dólares no programa de desenvolvedor, com o valor final em moeda local, e oferece isenção para organização sem fins lucrativos, instituição de ensino credenciada e órgão público que só distribuam app gratuito, sem venda dentro do app. A anuidade não é detalhe: se a inscrição vence, os apps deixam de estar disponíveis para download e a empresa não consegue enviar atualização. Só o titular da conta renova.
O Google cobra uma taxa única de 25 dólares no cadastro.
Comissão sobre venda só entra quando o app é pago na loja ou vende conteúdo digital dentro dele. App de empresa que registra visita, pedido ou ordem de serviço não vende nada e não paga comissão.
A armadilha da conta pessoal no Google Play
Conta pessoal criada depois de 13 de novembro de 2023 só publica em produção depois de um teste fechado com pelo menos 12 testadores inscritos por 14 dias seguidos. Cumprido isso, a empresa pede acesso à produção, responde a um questionário sobre o teste e espera a análise, que o Google diz levar normalmente até sete dias.
A exigência é das contas pessoais. Conta de organização não passa por ela, que é mais um motivo para abrir a conta certa desde o começo: a conta errada custa pelo menos as duas semanas do teste, mais o tempo de reunir doze testadores e a análise do pedido, antes da primeira publicação.
O que o revisor confere
A revisão não é só técnica. Quatro pontos derrubam envio de app de empresa, e todos são evitáveis:
- Política de privacidade. A Apple exige o link nos metadados e dentro do app, em lugar fácil de achar. O Google exige o formulário de segurança de dados para todo app publicado, inclusive em teste fechado ou aberto, e esse formulário pede o link da política. O que ela precisa dizer é o que o app realmente coleta, no mesmo espírito do nosso compromisso de segurança e LGPD.
- Conta de demonstração. App com login precisa mandar ao revisor um usuário e uma senha que funcionem, com o servidor ligado. Parece óbvio, e por isso mesmo é o motivo de recusa mais fácil de evitar: ambiente de teste desligado no dia da revisão.
- Exclusão de conta. Se o app permite criar conta, as duas lojas exigem que o usuário consiga pedir a exclusão. No Google Play, além do caminho dentro do app, é preciso um link na web.
- Funcionalidade mínima. A Apple recusa app que é só um site reempacotado. Se a ideia era pôr o site dentro de um ícone, talvez a resposta certa nem fosse app.
Testar antes da loja
Testar em grupo fechado antes da produção evita que o primeiro usuário real seja o cliente.
Na Apple, o TestFlight aceita até 100 testadores internos, que são pessoas da equipe com papel na conta, e até 10.000 externos. O primeiro build enviado a testadores externos precisa ser aprovado pela revisão.
No Google Play, o teste interno chega a até 100 testadores e pode não passar pela revisão padrão, o que o torna o caminho mais rápido para a equipe usar. O teste fechado vai para listas maiores, e o aberto já aparece na loja como versão de teste.
Quanto tempo leva a revisão
A Apple informa que, em média, 90% dos envios são revisados em menos de 24 horas, e aceita pedido de revisão acelerada para correção de defeito crítico ou lançamento amarrado a um evento. O Google avisa que certos apps passam por revisão estendida, de até sete dias ou mais em casos excepcionais, e que algumas contas recebem análise mais demorada.
A regra prática: uma semana de folga entre o envio e a data de lançamento na primeira publicação. As duas lojas permitem segurar o app aprovado e liberar na hora escolhida, então aprovar cedo não obriga a lançar cedo.
App interno não precisa de loja pública
Se o app é só para os funcionários, existe caminho fechado nas duas plataformas.
Na Apple, o app personalizado é publicado para uma organização específica e distribuído pelo Apple Business, com gerenciamento de dispositivos ou código de resgate. Passa pela revisão, mas não aparece para o público. Existe também o programa Enterprise, com anuidade de 299 dólares, restrito a empresa com 100 funcionários ou mais e a uso interno, e a própria Apple diz que o programa comum é o certo para a maior parte das organizações.
No Google Play, o app privado fica restrito às organizações escolhidas e é distribuído pelo console de gerenciamento de dispositivos, disponível poucos minutos depois de publicado.
O arquivo de instalação mandado por mensagem está perdendo espaço. O Google anunciou a verificação de desenvolvedor para apps em aparelhos Android certificados. No Brasil, a primeira etapa, que vale para apps instalados a partir das lojas participantes, tem prazo em 30 de setembro de 2026, e a expansão para todos os apps em aparelho certificado está prevista para 2027. Distribuição interna que dependa de arquivo solto precisa de plano para isso.
A lista para a primeira semana
- Pedir o D-U-N-S e abrir as duas contas no CNPJ, com e-mail corporativo.
- Publicar a política de privacidade no site da empresa.
- Preparar a conta de demonstração, com dado de exemplo e servidor ligado.
- Incluir a exclusão de conta, se o app cria conta.
- Rodar o teste interno antes do externo.
- Reservar uma semana entre o envio e o lançamento.
- Pôr a renovação da Apple no calendário.
Se a equipe já tem alguém que publicou app antes, isso se faz em casa, sem contratar ninguém. Nos projetos de aplicativo para iPhone e de aplicativo Android, a publicação entra no escopo e sai na conta da sua empresa. Quem está no passo anterior começa por qual plataforma lançar primeiro e por como se monta o custo.