Leonardo Peron5 min de leitura
A pergunta chega esperando um número, e o número honesto não existe: o mesmo produto cobra valores diferentes de duas imobiliárias do mesmo tamanho, porque o que varia não é o preço da licença — é o que está incluído nela.
O que dá para responder é a estrutura da conta, que é o que permite ler três propostas com modelos de cobrança incompatíveis e descobrir qual fica mais cara no ano que vem.
Declaração antes de começar: a Mix Labs tem um CRM imobiliário próprio, o Mix CRM, com plano publicado no site dele. Nenhum valor de mercado aparece aqui, nem o nosso — preço em texto de blog envelhece em semanas e vira desinformação com cara de referência.
Por usuário ou por imóvel: o que cada modelo pune
Por usuário. É o modelo mais fácil de comparar entre propostas, e o que cria o pior incentivo: crescer o time custa dinheiro imediato, então aparece o login compartilhado. Ele destrói a única coisa que faz o funil funcionar — saber de quem é cada lead — e o dano não aparece na fatura, aparece no atendimento.
Por imóvel ou por anúncio ativo. Cobra pela carteira, não pela equipe. Pune quem mantém imóvel parado há meses no sistema, o que às vezes é exatamente o empurrão que faltava para limpar a base. Mas pune também a operação sazonal, que carrega estoque alto em determinados meses e paga por ele o ano inteiro se o contrato for anual.
Por faixa. Os dois modelos acima costumam vir em degraus, e o degrau é onde a conta pula. Pergunte onde está o próximo degrau a partir do seu número de hoje — não o preço dele, a distância até ele.
Não existe modelo certo. Existe o modelo cujo eixo de cobrança cresce mais devagar que a sua operação — e quem vai dobrar de corretores tem interesse oposto ao de quem vai dobrar a carteira com o mesmo time.
O que costuma ser cobrado à parte
Nem todo fornecedor cobra tudo isto, e alguns não cobram nada disto. A lista serve para você perguntar item a item, porque o que não é perguntado aparece depois:
Integração de portal — às vezes por portal, às vezes por conta de anunciante. Migração da base vinda do sistema anterior. Implantação e treinamento, que às vezes são o mesmo item e às vezes são dois. Acesso à API e a webhooks, que é o que permite o site próprio e qualquer integração com outro sistema. Ambiente de teste separado do de produção. Canal oficial de WhatsApp: a API do WhatsApp Business tem custo próprio na origem e não é o aplicativo do celular do corretor. Suporte com prazo de resposta comprometido, que costuma ser um plano acima do de entrada.
O custo que não aparece em proposta nenhuma
Este é o pedaço que decide se o projeto foi bom, e ele não tem linha em lugar nenhum.
O tempo do seu time durante a migração. Alguém da casa vai conferir o de-para, revisar cadastro, apontar o que veio errado e responder pergunta do fornecedor. Esse alguém é a pessoa que mais entende da operação, que é exatamente quem já está ocupado. É trabalho medido em semanas, não em horas, e some da conta porque não gera fatura.
O mês em dois sistemas. Durante a transição, o antigo ainda recebe e o novo já recebe. Você paga os dois e, pior, o time trabalha nos dois. É um custo com data para acabar, desde que a data exista — sem data marcada, "rodar em paralelo" vira estado permanente, e isso está detalhado em trocar de CRM sem perder o histórico.
A queda de produtividade das primeiras semanas. Previsível e temporária — e cara se cair na semana do fechamento do repasse de aluguel.
O que o export não trouxe. Histórico de conversa, anexo e log de alteração raramente atravessam. O custo aparece meses depois, quando alguém precisa provar o que foi combinado e a resposta é "estava no sistema antigo".
Se você nunca pôs preço no tempo do seu time, a calculadora de custo do trabalho manual faz essa conta com os seus números.
Como comparar propostas com modelos diferentes
Reduza tudo a uma conta só, em três passos.
Primeiro, separe uma vez de todo mês. Implantação, migração e treinamento entram numa coluna; licença, suporte e integração recorrente, na outra. Somar os dois no mesmo número faz a proposta com implantação alta parecer pior do que ela é no segundo ano.
Segundo, projete doze meses com a operação que você terá, não com a de hoje. Use o time e a carteira que o seu plano prevê. É aqui que o modelo de cobrança mostra a diferença que a tabela esconde.
Terceiro, monte três cenários: como está, crescendo e encolhendo. Encolher importa mais do que parece — contrato anual com número mínimo de usuários é barato enquanto a operação cresce e vira dívida quando ela reduz.
A conta para fazer hoje
Pegue a última proposta que você recebeu e escreva três números ao lado dela: o total de doze meses com o time atual, o total de doze meses com o time que você pretende ter, e o valor do que é cobrado uma vez só. Faça o mesmo com a segunda proposta. A ordem entre as duas pode mudar do primeiro número para o segundo, e é o segundo que você vai pagar.
Depois some o outro lado: quanto custa continuar como está. O custo do lead sem resposta põe valor na demora que a operação já tem — e se o que você usa hoje é um plano gratuito, essa comparação é a conta inteira. Antes dela, vale saber o que você está comparando.