Leonardo Peron5 min de leitura
Plano gratuito não é versão pior do produto pago: é produto para outra operação. Para o corretor autônomo, para a dupla que acabou de abrir a imobiliária, para quem atende sozinho uma carteira pequena, costuma ser a escolha certa — e trocar antes da hora gasta dinheiro e atenção num projeto que a operação ainda não precisava.
Declaração de interesse, porque um texto que diz quando parar de usar o gratuito precisa dela mais que os outros: a Mix Labs vende um CRM imobiliário próprio, o Mix CRM. Ele é uma das opções pagas do mercado, não a conclusão deste texto.
Onde o gratuito resolve de verdade
Quando existe uma pessoa só, boa parte do que um CRM caro faz não tem função. Distribuição de lead não existe: não há entre quem distribuir. Rodízio, reatribuição por prazo estourado, perfil de permissão, aprovação da gerência — tudo isso resolve conflito entre pessoas, e conflito entre pessoas exige pessoas.
O que o gratuito substitui, nesse cenário, é o caderno, o bloco de notas do celular e a planilha que já tem seis abas. É uma troca grande: o lead com data de entrada registrada sem ninguém digitar, o lembrete que dispara sozinho, e o histórico que sobrevive ao celular que caiu na água. Se você veio de planilha, o salto real é esse — e os sinais de que a planilha passou do ponto valem igual.
O que costuma estar fora, e por que não é maldade
Existe uma lógica previsível no que os planos gratuitos cortam, e entendê-la poupa a decepção da descoberta no meio do uso.
O que é barato para o fornecedor tende a ser generoso: guardar registro, contato e imóvel. Armazenamento custa pouco.
O que custa dinheiro por chamada tende a ser restrito ou ausente: integração com portais, que consome cota de API de terceiro; canal oficial de WhatsApp, que tem tarifa na origem; disparo de e-mail em volume; e qualquer coisa que faça o fornecedor pagar outra empresa toda vez que você clica.
E há a terceira categoria, que é a que importa mais na hora de sair: usuário adicional, permissão por perfil, retenção de histórico antigo e export completo. Este último decide se o gratuito é uma porta ou uma armadilha, e volta no fim deste texto.
Nada disso é armadilha por si: é como um plano de entrada se paga. O erro é descobrir o limite depois de a operação já depender do que está lá dentro.
Os três sinais de que a operação passou do ponto
Entrou a segunda pessoa. O sinal não é o número de usuários permitido; é a pergunta que aparece no dia seguinte: de quem é aquele lead. Enquanto a resposta for combinada por WhatsApp, ela some quando as duas pessoas discordam — e é justamente aí que ela precisa existir. A discussão inteira está em o dono do lead, e ela não se resolve com boa vontade.
Manter o mesmo imóvel em vários lugares virou rotina diária. Preço mudou: você abre o portal, abre o outro portal, abre o site, abre o CRM. Enquanto isso acontece uma vez por semana, é chateação. Quando vira meia hora todo dia, virou custo — e a versão cara desse custo é o anúncio que continua no ar depois do imóvel sair, que gera atendimento que nunca converte.
Alguém mantém uma planilha paralela. Para conferir comissão, para saber quais imóveis estão com autorização vencendo, para lembrar quem prometeu o quê. A planilha paralela é a prova material de que o sistema não devolve o que a operação precisa — o mesmo mecanismo que faz ninguém preencher o CRM numa empresa grande.
Um sinal sozinho não decide nada. Os três juntos significam que o trabalho de contornar o limite já custa mais que o plano pago.
O gratuito com dado preso é o mais caro
Aqui está o único ponto em que vale desconfiar de um plano gratuito, e não é o preço: é a saída.
Antes de colocar a carteira inteira lá dentro, peça o export. Não pergunte se existe — gere um, hoje, com a base pequena que você ainda tem, e abra o arquivo. Veja se vieram os imóveis com todos os campos, os contatos com data de origem e, principalmente, se veio alguma coisa do histórico de conversa. Um plano gratuito que exporta tudo é uma escada. Um que só exporta uma lista de nomes é um degrau sem o de cima, e você só descobre quando quiser trocar de sistema.
O teste custa alguns minutos agora e decide se a saída, quando vier, vai ser uma importação ou uma redigitação.
A conta simples para decidir
Some as horas por semana que você gasta hoje fazendo à mão o que o plano pago faria sozinho: republicar imóvel, transcrever lead de e-mail, atualizar planilha de acompanhamento. Multiplique pelo valor da sua hora — se você não tem esse número, a calculadora de custo do trabalho manual chega nele com perguntas simples. Multiplique por quatro, para o mês.
Se o resultado for menor que a mensalidade que você está avaliando, fique onde está e volte a fazer a conta daqui a um trimestre. Se for maior, a decisão deixou de ser sobre pagar ou não pagar e passou a ser sobre o que comparar entre fornecedores e como ler as propostas.
A conta ignora o lead perdido por demora, que é o custo mais alto e o menos visível. Para incluí-lo, o custo do lead sem resposta põe valor nele com os seus números.