Vendas e CRM

Tecnologia para aumentar vendas: o que devolve venda e o que é enfeite

Tempo de resposta, contexto do cliente e pedido sem redigitação devolvem venda. Painel que ninguém lê, não. E por que a ordem é processo, dado e ferramenta.

Leonardo Peron6 min de leitura

Tecnologia aumenta venda quando faz uma de duas coisas: encurta o tempo entre o cliente demonstrar interesse e uma pessoa preparada responder, ou tira do vendedor o trabalho que não é vender. O que não faz nenhuma das duas pode ser útil para outra área, mas não aparece no faturamento, por mais bonito que fique na demonstração.

O critério parece estreito e é estreito de propósito. Ele permite olhar qualquer ferramenta, da mais cara à gratuita, e fazer a mesma pergunta: o que muda na terça-feira do vendedor e na segunda-feira do gerente? Se a resposta for "nada que dê para apontar", a ferramenta é enfeite, e enfeite cobra licença, implantação e a atenção do time.

O que de fato devolve venda

São quatro lugares, quase sempre nesta ordem de retorno.

Tempo de resposta

O interesse do cliente tem validade curta, e ele não espera o vendedor voltar da visita. A tecnologia que mais devolve venda é a menos vistosa: o contato que chega pelo site, pelo portal ou pelo WhatsApp nasce registrado, com origem e horário, e cai na fila de uma pessoa com nome. Sem digitação no meio, porque cada passo manual é um lugar onde o lead espera.

Onde isso vaza, e por que o relatório não mostra, já tem texto próprio. Aqui vale só a consequência para a escolha de ferramenta: antes de qualquer outra compra, garanta que nenhum canal de entrada dependa de alguém copiar e colar.

Contexto do cliente na mão de quem atende

O vendedor que atende sabendo o que o cliente já comprou, o que perguntou da última vez e o que ficou combinado conduz outra conversa. Não é carisma, é informação. O problema é que ela costuma estar espalhada: a compra no ERP, a conversa no celular de quem atendeu antes, a proposta num anexo de e-mail.

Juntar isso na tela em que a conversa acontece devolve venda de dois jeitos. O atendimento fica mais curto, e o cliente não precisa repetir a história para a terceira pessoa, que é o momento em que ele decide procurar outro fornecedor.

Pedido sem redigitação

Em operação com representante ou vendedor externo, a cena é conhecida: o pedido é anotado na frente do cliente e digitado no sistema à noite, em casa, ou na manhã seguinte. A conta vale ser feita com os seus números. Dez representantes que gastam quarenta minutos por dia passando pedido somam cerca de 147 horas por mês (10 x 40 min x 22 dias). São horas de quem conhece o cliente gastas em digitação, com erro de digitação junto e com o pedido chegando atrasado ao faturamento.

Quando o pedido sai do celular direto para o ERP, com preço e estoque consultados na hora, essas horas voltam para visita. É o caso típico de aplicativo de força de vendas, e um dos poucos investimentos em tecnologia comercial cujo ganho dá para medir no primeiro mês.

Dado para o gerente decidir

O quarto lugar é indireto. O gerente não vende, mas decide para onde vai o esforço de quem vende: qual canal merece verba, qual vendedor precisa de ajuda em qual etapa, qual negócio está parado há tempo demais. Com dado confiável, essa decisão sai na segunda-feira. Sem ele, sai depois de uma semana montando planilha, ou não sai.

Quais números entram nessa conta é assunto separado, e a lista é mais curta do que os painéis costumam sugerir.

O que costuma ser enfeite

Três padrões aparecem com frequência em diagnóstico comercial, e nenhum deles é culpa da ferramenta em si.

A ferramenta que ninguém usa. Foi comprada, implantada e treinada. Três meses depois, o time voltou para a planilha e para o WhatsApp pessoal, e o sistema virou um segundo lugar para registrar o que já está no primeiro. Quando existem dois lugares, o vendedor registra em nenhum. O mecanismo, e por que treinamento não resolve, está em por que ninguém preenche o CRM.

O painel que ninguém lê. Vinte gráficos, atualização em tempo real, cor por status. Pergunte a quem recebe qual decisão tomou por causa dele no último mês. Se a resposta for nenhuma, o painel não é instrumento de gestão, é decoração de tela. Painel útil costuma ter poucos números, com definição escrita e alguém que responde quando eles pioram.

A IA que escreve e-mail genérico. Gerar mensagem de abordagem em volume é a primeira coisa que se tenta com IA em vendas, e a que mais decepciona. O texto sai bom, sai rápido e sai parecido com o de todo mundo, e o volume cobra o preço na entrega. Onde ela ajuda de verdade, como pesquisar a empresa antes da ligação ou resumir o histórico, está separado do que derruba a taxa de resposta.

O ponto comum entre os três: foram escolhidos pelo que a ferramenta faz, não pelo que a operação precisava.

A ordem certa: processo, dado, ferramenta

Muito projeto comercial que dá errado começou pela ferramenta. A ordem que funciona é a inversa.

Primeiro o processo. Quem atende o lead que chegou agora, em quanto tempo, e o que acontece se não atender. Quando um negócio muda de etapa, e o que o faz mudar. Se essas respostas não estão escritas, nenhum sistema vai inventá-las: ele aplica o padrão dele, e o padrão dele vira a sua política sem ninguém ter decidido.

Depois o dado. Com o processo escrito, fica claro o que precisa ser registrado e em que momento. A regra é que o registro nasça do evento (a mensagem chegou, a proposta foi enviada, o pedido foi faturado) e não da memória de alguém no fim do dia. Dado que depende de digitação chega tarde e chega incompleto.

Por último a ferramenta. Só agora dá para comparar opções com critério, porque existe uma lista do que ela precisa fazer. Invertida, a ordem produz o cenário mais comum de todos: um sistema caro modelando um processo que ninguém definiu.

Quando a resposta é não comprar nada

Time com três vendedores, um canal de entrada e um gerente que vende junto raramente precisa de mais que uma planilha bem cuidada e uma regra de retorno escrita. Se a operação cabe num CRM pronto, como HubSpot, Pipedrive ou RD Station, comece por ele: sai mais barato e entra mais rápido.

Sistema próprio só se paga quando a regra da operação não cabe no produto: distribuição entre filiais com exceção, comissão por linha, aprovação que passa pela matriz, pedido que precisa conversar com o ERP na hora. Aí a configuração vira campo livre, e campo livre não vira relatório.

O teste para fazer esta semana

Liste cada ferramenta que o time comercial usa ou paga. Para cada uma, responda duas perguntas: o que o vendedor faria diferente se ela sumisse amanhã, e qual decisão do gerente depende dela.

Ferramenta sem resposta nas duas é candidata a sair. Ferramenta com resposta só na segunda está servindo à gestão às custas de quem vende, e vale medir quanto de digitação ela exige. E se a lista mostrar um buraco, como lead que entra por um canal que nenhum sistema vê ou pedido que ainda passa pelo papel, é por ele que se começa, antes de qualquer licença nova. Quando o buraco é uma regra que o produto pronto não comporta, esse é o trabalho de um CRM sob medida.

Isso é o que fazemos em crm sob medida

O CRM que ninguém preenche é o CRM que não devolve informação. Construímos o funil no formato em que a sua venda acontece, e não no molde do produto.

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